Quando o relacionamento parece repetir a mesma história

Pessoas diferentes, os mesmos conflitos. Entenda por que alguns relacionamentos se repetem, o que levamos de uma relação para outra e como sair desse ciclo.

Por Márcia FariasTerapeuta do Inconsciente 6 min de leitura
Neste artigo
  1. Pessoas diferentes, os mesmos conflitos
  2. O que levamos de uma relação para outra
  3. Dependência emocional: quando o outro vira o centro
  4. Como sair do ciclo
  5. E se eu estiver numa relação agora?

“Eu tenho dedo podre.” Quem já disse essa frase, rindo ou chorando, sabe o peso que ela carrega. É a sensação de que, não importa quem venha, a história termina parecida: você dando mais do que recebe, sentindo ciúme sem saber de onde vem, ou se apaixonando justamente por quem não está disponível.

A explicação do “dedo podre” é confortável porque coloca a culpa na sorte. Mas ela também tira de você a possibilidade de mudar. Vale olhar com mais carinho para o que se repete.

Pessoas diferentes, os mesmos conflitos

Repare nos detalhes das suas relações passadas. Muitas vezes o rosto muda, a profissão muda, o jeito de falar muda. Mas o papel que cada pessoa ocupa na sua vida é muito parecido.

Alguns ciclos comuns:

  • A cuidadora. Você sempre acaba com alguém que precisa ser salvo, organizado, apoiado. E se cansa.
  • A que espera. Relações com pessoas distantes, ocupadas, comprometidas ou indecisas. Você fica aguardando um lugar que nunca chega.
  • A que se perde. No começo você é você. Meses depois, deixou amigos, hobbies e opiniões pelo caminho.
  • A que briga do mesmo jeito. O motivo da discussão muda, a briga é idêntica: as mesmas frases, o mesmo silêncio depois.

O que levamos de uma relação para outra

A gente não entra em um relacionamento em branco. Leva junto a forma como aprendeu a amar e a ser amada. Isso vem da infância, das primeiras referências de casal que observou, das primeiras decepções.

Se, para receber atenção, você precisava ser “boazinha” e não dar trabalho, é provável que repita isso a dois. Se o amor vinha misturado com instabilidade, a calma de uma relação tranquila pode até parecer tédio, e o caos parecer paixão.

Não é que você escolha sofrer. É que o conhecido atrai. O familiar parece certo, mesmo quando não faz bem.

Dependência emocional: quando o outro vira o centro

Uma das formas mais dolorosas de repetição é a dependência emocional. Ela aparece quando o seu bem-estar passa a depender quase totalmente da presença, da aprovação ou do humor da outra pessoa.

Alguns sinais: medo intenso de ser deixada, dificuldade de ficar sozinha, aceitar coisas que machucam para não perder a relação, sentir que sem o outro você não é ninguém.

Superar a dependência emocional não começa pelo outro. Começa por entender de onde vem essa fome de vínculo e o que ela tenta preencher.

Como sair do ciclo

Algumas perguntas ajudam a enxergar o padrão:

  1. O que eu sinto no começo das minhas relações? E no meio? E no fim?
  2. Que papel eu costumo ocupar?
  3. Essa sensação me lembra alguma relação da minha infância ou da minha família?
  4. O que eu aceito numa relação que não aceitaria numa amizade?

Responder com honestidade já é um movimento grande. Mas, como em todo padrão, perceber não é o mesmo que mudar. A mudança acontece quando a experiência de origem é olhada e ganha outro sentido. Aí a escolha deixa de ser automática.

Se esse tema mexe com você, leia também Por que os mesmos padrões se repetem na minha vida? e Limites saudáveis começam pelo reconhecimento das próprias emoções.

E se eu estiver numa relação agora?

Este trabalho não é só para quem está solteira. Muitas mulheres chegam querendo entender por que a mesma briga volta todo mês, ou por que se sentem sozinhas mesmo acompanhadas. Olhar para a própria história muda também a forma de estar na relação atual, com mais clareza sobre o que é seu e o que é do outro.

Se houver qualquer tipo de violência, a prioridade é a sua segurança. A Central de Atendimento à Mulher funciona pelo telefone 180, gratuito, 24 horas.

Perguntas frequentes

Por que eu sempre atraio o mesmo tipo de pessoa?

Mais do que atrair, a gente tende a se interessar por quem desperta algo familiar. Esse “familiar” costuma estar ligado às primeiras experiências de vínculo.

Terapia individual ajuda em problemas de relacionamento?

Ajuda muito. Quando uma pessoa muda o lugar que ocupa, a dinâmica da relação inteira se movimenta.

Como saber se é dependência emocional ou só amor?

Amor convive com autonomia: você continua tendo vida, opinião e limites. Na dependência, o medo de perder o outro passa a comandar suas escolhas.

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