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O que esperar de um processo terapêutico breve
Como funciona uma terapia breve, com poucos encontros? Veja o que acontece nas sessões, por que os intervalos importam e como chegar preparada.
Ler artigo“Já passou, esquece.” Quem nunca ouviu esse conselho? Ele vem com boa intenção, mas raramente funciona. A gente não esquece o que doeu porque decidiu esquecer. E, quando tenta empurrar para longe, a memória costuma voltar pela porta dos fundos: num sonho, numa briga, numa reação que ninguém entende.
Ressignificar é outro caminho. Não apaga nada. Muda o lugar que aquilo ocupa em você.
Ressignificar é dar um novo sentido a uma experiência. O fato continua sendo o mesmo; o que muda é a forma como você o interpreta e, principalmente, o que ele faz você sentir hoje.
Um exemplo simples. Uma mulher lembra de ter sido deixada sozinha em casa, ainda criança, por longos períodos. Por anos essa lembrança dizia: “ninguém se importa comigo”. Ao olhar para a cena com mais recursos, ela percebe a mãe exausta, trabalhando em dois empregos, sem rede de apoio. A memória continua lá. Mas a frase que ela carregava muda para algo como: “eu estava sozinha, e minha mãe fazia o que podia”.
A dor não some de uma vez, mas deixa de definir quem ela é.
Um cuidado importante: ressignificar não é forçar um lado positivo, nem dizer que “tudo acontece por um motivo”. Tem coisas que foram injustas e continuam sendo. O processo respeita isso.
A diferença é que a experiência deixa de comandar suas reações no presente. Você pode reconhecer que algo foi difícil e, ao mesmo tempo, não precisar mais se proteger dele o tempo todo.
O termo “reprogramação emocional” aparece muito nas buscas e costuma ser usado para falar desse mesmo movimento. A ideia é que reações emocionais aprendidas podem ser revistas e transformadas.
Vale um cuidado com promessas fáceis. Não existe frase mágica nem técnica que reescreva alguém em cinco minutos. O que existe é um trabalho cuidadoso de acessar a origem de uma emoção e oferecer a ela uma nova compreensão. Quando isso acontece, as reações mudam de forma natural, sem precisar de força de vontade.
Em linhas gerais, o processo envolve:
O terceiro passo é o coração do trabalho. É quando a adulta de hoje consegue acolher a criança de antes, e a história ganha outro final interno.
As pessoas costumam descrever a mudança com palavras simples:
Não é que a vida fique sem problemas. É que você passa a responder a eles a partir de quem é hoje, e não de quem precisou ser lá atrás.
Muita gente busca “como começar um novo ciclo de vida” pensando em mudanças externas: cidade nova, emprego novo, relação nova. Essas mudanças são válidas, mas sem olhar para dentro, o velho ciclo costuma ir junto na mala.
Ressignificar a própria história é o que permite que um recomeço seja de fato novo.
O nome RECRIE-SE vem exatamente daí: recriar a relação com a própria história para escrever o próximo capítulo com mais leveza. Para entender o formato desse trabalho, leia O que esperar de um processo terapêutico breve.
Não necessariamente. O perdão pode ser uma consequência, mas não é obrigatório. Ressignificar é sobre a sua relação com o que aconteceu.
Sim. Muitas vezes não é preciso lembrar de cada detalhe. A emoção do presente já aponta o caminho.
A lembrança pode voltar, porque ela faz parte da sua história. O que muda é a intensidade e o efeito que ela tem sobre você.